Qual o (Ab)início da família?
Artigo por psicóloga Margarida Gaspar
Hoje celebra-se o dia mundial da família. Já sabemos que a definição de família tem vindo a mudar ao longo do tempo. Antigamente só se considerava uma família, aquela que fosse composta por uma mãe, um pai e pelo menos um filho. Hoje percebemos que uma família é muito mais do que isso, que uma família nasce da união.
E onde começa a união? Será quando nasce o primeiro filho? Ou virá antes disso? Aquilo que venho propor é que a união começa no menor conjunto possível, num par numa dupla… ou num casal!
Apesar de sabermos que existem famílias em que a dupla inicial, por variadas razões, não é o casal, por exemplo alguém que decide ter um filho a solo, este artigo foca-se no casal como o início da família por se considerar a generalidade. Entendendo que a base da família é o casal, torna-se muito mais visível o caminho para a harmonia e equilíbrio da vida familiar.
Quando o casal está alinhado, conectado e se vê como uma equipa, transmitirá aos filhos consistência e clareza nos limites, impactando positivamente a relação com os filhos e o seu bem-estar e desenvolvimento saudável. Quando não temos este cenário, podemos estar perante duas coisas distintas, que não observamos à primeira vista: desafios no casal romântico e/ou desafios no casal parental.
O casal romântico surge antes do casal parental, por isso, cuidar dessa relação romântica continua a ser imprescindível mesmo depois de surgirem os filhos, lembrando que foi aí que a família começou e, por isso, não podemos deixar de nutrir essa base!
Se estivermos perante desafios no casal parental, estes podem assentar em diferentes pontos, sendo o principal os pais terem estilos parentais muito diferentes (autoritário ou permissivo ou autoritativo). Isso pode gerar um desequilíbrio na forma como cada um coloca os limites, dificuldade em estabelecer regras o que pode criar alguma confusão ou aproveitamento por parte dos filhos (por exemplo quando pedem algo ao pai que lhes responde “não” e, então vão perguntar à mãe e “a mãe deixou!”). Nestes casos pode ser importante procurar a consulta de psicologia da infância e da adolescência numa lógica de intervenção familiar, que permitirá identificar e trabalhar estes aspectos.
Já quando acontece um desequilíbrio apenas no casal romântico pode fazer sentido o casal procurar terapia de casal.
Afinal de contas, a base é tudo e sem ela não é possível segurar o que está por cima!


